[ Indicação de livro: O Menino que Comia Lagartos ]

 

A história me toca profundamente por ser um reencontro com as histórias contadas por meus avós no terreiro de nossa casa lá no Tocantins.

 O menino Tikorô vai se encontrar com um lagarto que perdeu as cores e a alegria de viver, um reencontro com suas raízes ancestrais.

 Márcia Licá

“Seu lagarto se esqueceu de onde veio, quem é e para onde vai.. Com as lembranças, também suas cores se foram, como ocorreu com  os filhos da África...”

Tikorô vive em uma aldeia no deserto do Saara, não ia à escola, falava muito pouco, mas era bem esperto, conhecia cada pedacinho da terra onde morava, sabia onde encontrar todos os sábios de cada aldeia e era conhecido como o menino que comia lagartos, pois vivia com a baladeira em punho pronta para ataca-los. Até que um dia encontra um lagarto diferente, branco e bem triste, compadecido tentará ajuda-lo a recuperar suas cores.  Menino e Lagarto partem para uma jornada, onde passarão por muitas descobertas e reencontros com a cultura ancestral do povo da aldeia africana.

As ilustrações têm cores e traços em tons avermelhados, remetendo a cor da terra e ao calor do deserto. Para curar a tristeza do lagarto, Tikorô vai buscar respostas com os sábios das aldeias que retomando as memórias culturais do povo do lugar faz com que o lagarto ganhe novas cores. No encontro com grigri, sábio da aldeia e nas histórias Tuaregues, ganham um punhado de terra, e o lagarto ganha seu primeiro tom de cor.

“Seu lagarto esqueceu a terra”

 Em seguida, o homem azul pegou um punhado de terra: deu metade para Tikorô e esfregou na cabeça do animal o restante. 

O lagarto sacudiu a cabeça.

Ele parecia quase contente, embora ainda chorasse um pouco." pág. 17-18

 

 

Continuado a viagem o menino e o lagarto, pararam para tomar chá com amigos que dançavam, riam, choravam e ajudaram o lagarto a relembrar o tempo; Com o bastão oferecido pelos mascarados lembrou-se dos ritos de morte e vida. Com o canto e dança dos músicos de Djeliá recuperou a alegria de viver. 

No fim da jornada Tikorô também ganha novos conhecimentos, e o lagarto agradece seu amigo lhe passando um dom especial, de ser o guardião da memória do seu povo, o dom de recontar esta e outras histórias para as gerações futuras.    

O livro “O menino que Comia Lagartos” foi escrito e ilustrado por Mercê López, Editora SM, e faz parte do acervo de livro que enviamos para as bibliotecas comunitárias apoiadas pela Vaga Lume.

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