[ Caça ao saci! ]

Hoje, Dia Internacional do Folclore, visitamos o Espaço de Leitura do Parque da Água Branca. Lá, entre uma história e outra, é possível escutar o nascimento de um saci! Aliás, você sabia que existe mais de um tipo de saci, além do Pererê? Sabia, também, que é possível caçar um saci? Pois é! A gente também não sabia! E já anotamos na agenda o dia da caça lá no Parque: 30 de outubro!

Ficou curioso? Espia só a prosa que tivemos hoje com a Taís Matias e o Rafael Ribeiro, da Equipe de Educação do Espaço de Leitura!

 

Como vocês sabem que aqui tem saci?

Muitos sacis nascem aqui no parque porque temos dois grandes bambuzais. Quando os bambus estalam, quer dizer que um saci está nascendo. Muitos moradores antigos do entorno do Parque frequentam e contas histórias de sacis – que já viram ou que já sentiram a presença de algum. Contam casos, como de aparecer nós nos rabos e crinas dos cavalos que dormem no parque, cadeados das estalagens que são abertos e os cavalos são encontrados andando pelo parque, sendo que tem um procedimento rigoroso de fechar as estalagens. Como esses eventos acontecem com muita recorrência, não podia ser outra coisa, se não o saci.

 

 

 

Como vocês resolveram montar uma programação de caça ao saci?

A gente teve acompanhamento da Associação de São Luiz do Paraitinga, que já identificavam o Parque como foco de nascimento do saci, então criamos juntos uma programação que pudesse fazer refletir sobre esse ser tão importante para nossa mata, nossa biodiversidade. Mesmo em São Paulo temos muitos focos de nascimentos de saci, inclusive os não típicos de mata fechadas, são sacis da cidade, sacis urbanos. Aqui no Parque, e de maneira geral em São Paulo, o imaginário do saci estava se perdendo, então a deia é dar a permanência e continuidade na observação e caça ao saci justamente com esse intuito de reflorestamento de sacis.

 

Qual a sensação de saber que tem sacis por aí?

É maravilhoso saber que esse ser está conosco e que esta aprontando por aí, que muitas vezes a gente não entende alguma coisa, como quando colocamos açúcar no café e fica salgado: só pode ser o saci. Em uma das casas do Parque, achamos uma coleção de sacis engarrafados, não tínhamos certeza se os sacis ainda estavas lá, mas não queríamos ser loucos de abrir a garrafa e de repente as coisas começarem a virar do avesso no dia seguinte. O que fizemos foi resgatar, tirar do porão a coleção, e dizer pro mundo que os sacis estão no Parque e que precisamos aprender a conviver com eles, respeitá-los. Quando a gente expôs, a ideia não era mantê-los engarrafados, porque a gente sabe da importância dos sacis no mundo. Então, junto com a Associação de São Luiz e com as pessoas que estavam no parque, a gente fez um evento de soltura dos sacis engarrafados. Tinham diversas espécies de saci, desde sacis pré-históricos até os Saci-Mirim, Saci-Açú, Saci-Pererê, que é um dos mais conhecidos, mas tem uma série de outros.

 

 

Como caçar um saci?

O ideal é que você traga seus equipamentos pra atrair os sacis, como um pouco de fubá e uma peneira grande, ficar em silêncio perto do bambuzal e usar um objeto que faça um assobio, que é o jeito de atrair o saci. A gente costuma rodar um conduíte, que faz um barulho bem alto. Aí, joga um pouco de fubá, faz muito silêncio e se esconde, pra que o saci se sinta à vontade para aparecer. Rapidinho ele começa a se manifestar: é quando você começa a ver o rodamoinho das folhas perto do bambuzal.

 

 

 

Pra que eu chamaria um saci?

Pela curiosidade, porque ele é um ser extremamente levado, danado e invisível aos nosso olhos. E também pra gente aprender a conviver. A gente acha que eles só  estão nos livros de histórias, quando a professora conta pra gente, mas eles estão muito mais perto do que a gente possa imaginar. Quando você perde alguma coisa em casa, controle, chave, pode ter certeza que tem um saci na sua casa. Não tenha dúvida que seja isso. Perde caneta, borracha, é ele.

 

Como é a programação com as crianças?

A gente faz a caça ao saci com as crianças investigando registros do saci pelo parque. Nessa época, em outubro, as toquinhas vermelhas também costumam aparecer por aí. A toquinha é um elemento importante que dá a mágica ao saci. Quando você consegue tirar a toca, ele perde o poder de invisibilidade. A gente vai acompanhando as crianças e, na medida do possível, tirar dúvidas, mas a gente viu que as crianças têm um repertório muito grande de sacis. “Quando eu jogo feijão e o fubá? Pra que serve a cruz na tampa da garrafinha?” Assim, elas assimilam pra caçar sacis vida à fora.

 

E depois da caça?

É interessante caçar, mas é importante a gente soltar o saci. Essa vivencia da caça é boa, mas é bom o repovoamento do saci. Se seu bairro está muito quieto, você pode vir pro Parque da Água Branca, caçar e levar pra lá. Na nossa programação, dia 30 de outubro vai ter uma expedição de observação do saci e, se tivermos sorte, eles aparecem e a gente consegue capturar e pensar onde podemos soltá-los novamente.

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